A metrópole do conhecimento

Região se resume a oportunidades. Para os estudantes, Campinas tem se destacado como trampolim para carreiras de sucesso em grandes empresas, tanto dentro quanto fora do Brasil.

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O chamado “complexo cafeeiro paulista” foi o ponto de partida do dinamismo da agricultura, da infra-estrutura de comunicações e transportes, e da rede urbana do que viria a ser, muito mais tarde, a RMC – Região Metropolitana de Campinas. Esse processo, desde seu início, fortaleceu a centralidade de Campinas, consolidando-a como “a principal capital regional” da mais rica região do interior paulista.
A partir dos anos 50, grandes empresas estrangeiras, tais como Swift, Dunlop e Singer, instalam-se em Campinas, atraindo pequenos e médios fornecedores. E, a partir dos grandes investimentos realizados, na segunda metade dos anos cinquenta aumenta, de forma acelerada, a participação do município no produto industrial do Estado. Junto com essa mudança, a própria estrutura da indústria muda. Crescem, por exemplo, os ramos de atividade mais dinâmicos, como mecânica, material de transportes, material elétrico e comunicações.
Esse movimento de expansão industrial também foi impulsionado pelas políticas que induziram o intenso processo de interiorização do desenvolvimento, que beneficiou especialmente Campinas e região, destacando-se os incentivos às exportações agroindustriais e o Pró-Álcool, e as medidas que ampliaram os investimentos públicos na infra-estrutura de transportes e comunicações e em ciência e tecnologia, que levaram, anos depois, à implantação da Unicamp, da Replan, do CPqD e do CTI, etc. .
Nos anos 70 e 80, a localização de indústrias e das empresas de comércio e serviços ao longo dos eixos rodoviários promove a interligação da economia das várias cidades, impulsionando a unificação do mercado de trabalho e estimulando os fluxos de pessoas, bens e produtos. Configura-se, já nesse momento, o início da metropolização. A mancha urbana se espraia, formando-se, no entorno de Campinas, uma aglomeração urbana de porte.

Além de ser bastante articulada com a maior metrópole nacional, São Paulo, a RMC exerce intensa influência sobre outros importantes centros regionais, inclusive de estados limítrofes. A região se insere dinamicamente no núcleo urbano-industrial, que tem como epicentro São Paulo, e que polariza um vasto território de elevado nível de desenvolvimento.
Em conjunto, os dezenove municípios que compõe a RMC respondem   hoje por mais de 12% do produto paulista, e por cerca  de 15% de sua  produção industrial . Se fosse um estado, a RMC seria o quarto do país, atrás apenas de SP, RJ e MG.
Destacam-se nas atividades industriais regionais os complexos químico e metal-mecânico, tendo também grande importância relativa o têxtil. Nos anos 90, destacou-se a ampliação da participação dos setores de material de transportes, material elétrico e de comunicações, e do farmacêutico. O químico e o têxtil, em que pese terem perdido participação relativa no período, continuam atingindo níveis expressivos.
O setor químico é composto de diversas usinas de produção de álcool, da Refinaria de Paulínia e do “colar” de empresas compradoras e fornecedoras a ela articulado. O têxtil, localizado principalmente em Americana  e Nova Odessa, depois de uma forte crise nos anos 90, com a abertura comercial e a valorização da moeda, está retomando seu dinamismo. No caso de bebidas, os maiores investimentos foram em Jaguariúna, enquanto a indústria de material elétrico, informática e de equipamento de telecomunicações expandiu-se principalmente em Campinas, Jaguariúna e Indaiatuba. Em municípios como Campinas, Sumaré, Hortolândia e Indaiatuba, várias outras atividades industriais são importantes, como mecânica, material de transportes, papel e papelão, borracha e farmacêutica.
Entretanto, foi sem dúvida a performance recente do setor terciário que tornou nítida a emergência da metrópole.

O porte, a densidade e a sofisticação do mercado consumidor da RMC atraem grandes estabelecimentos terciários, exigindo equipamentos urbanos de dimensões metropolitanas. O exemplo mais emblemático é o que ocorre às margens da Rodovia D. Pedro I, com vários empreendimentos voltados para um mercado que vai muito além de Campinas.
A mancha urbana metropolitana configurou-se inicialmente tendo como eixo a via Anhanguera, no processo de industrialização acelerada dos anos setenta O segundo eixo fabril da região tem sido a via Santos Dumont – ligação Campinas/Viracopos/Indaiatuba/Sorocaba , mas outros eixos cuja importância é crescente são a D. PedroI (ligação com a via Dutra), as ligações Campinas/Paulínia e Campinas/MonteMor e a rodovia Campinas/MogiMirim. Nesta última e na D. Pedro I estabeleceram-se os pólos industriais de alta tecnologia, em função da presença próxima das universidades.
A atividade imobiliária induziu uma vasta seqüência de bairros e loteamentos populares, que preencheram e interligaram os espaços intermunicipais. Em Campinas esses loteamentos populares concentram-se  sobretudo na região Sudoeste, limítrofe com Sumaré, Hortolândia e Monte Mor,  e onde reside metade da população da cidade. Em suma, tal como nos demais grandes centros brasileiros, a  metropolização de Campinas pode ser vista como decorrência de dois processos simultâneos e interligados:  por um lado, as transformações econômicas e sociais derivadas da industrialização; por outro lado,  a forma descontrolada e predatória que caracteriza a apropriação,uso e ocupação do solo urbano.
Campinas é hoje essencialmente um centro de serviços. Cerca de 46% do emprego formal está nas   atividades terciárias: ensino, transportes, serviços de comunicação, serviços de saúde, atividades auxiliares da indústria, alimentação, hotelaria, lazer e cultura, bancos, etc. Outros 20% do emprego são gerados pelo comércio, tanto no varejo, como no atacado. A indústria de transformação é responsável hoje por apenas 18% de todo o emprego do município. A construção civil por cinco por cento e o setor público por oito por cento.
Essa economia de serviços se mantém não apenas com base na economia intrínseca do município, mas também porque em seu entorno se sustenta uma atividade industrial e uma população significativa, que demandam uma série de atividades terciárias atendidas a partir da sede metropolitana. Entretanto, para o conjunto dos demais municípios metropolitanos,  cerca de 43% das ocupações estão na indústria de transformação. São quase quatro mil indústrias que geram 120 mil empregos. Nesses municípios, diferentemente de Campinas, apenas 16% do emprego está em atividades comerciais e 24% em serviços.

A região de Campinas é cada vez mais reconhecida como o principal pólo do país nas áreas de informática e telecomunicações. As empresas já instaladas no município e na região constituem um ambiente extremamente favorável à atração de novas unidades empresariais e está presente um conjunto de atrativos que favorecem a implantação de novos empreendimentos nesses setores: a localização estratégica, uma das melhores logísticas para comércio exterior do país, instituições de ensino e pesquisa de excelência, mão de obra qualificada, população empreendedora, indústrias voltadas para inovação, empresas intensivas em conhecimento, infra-estrutura de serviços e qualidade de vida
Nos anos 90, uma série de empresas que atuam no setor de tecnologias da informação e comunicações se instalou na região: Algar, Alcatel, Avex, Compaq, Danfoss, Digital Microwave, GT/SCI, GT/Digital, GT/Apple, Hewlett Packard, Horizon Cablevision, Kirk Wood, Lucent Technologies, Metal Cabo, Motorola, Net.2Net, Nextel, Nortel, Networks, Portal Bionexo, Qualcomm,  Tess e Vésper, são exemplos
Além disso, algumas cidades também vêm desenvolvendo estratégias para atrair investimentos dessa natureza com a criação de condomínios industriais, a exemplo das áreas destinadas à implantação dos Parques Tecnológicos do CIATEC, em Campinas, do Technopark na Rodovia Anhanguera, também em Campinas, do Tech Town, em Hortolândia e do Jaguari Center, em Jaguariúna
Importante revista especializada ( Wired Magazine), edição de 2000, fez um ranking da nova geografia da tecnologia no mundo, baseado no ambiente de pesquisa e empresarial, na capacidade de empreender e na disponibilidade de capital de risco. Com base nesses critérios, identificou quarenta e seis technologyhubs. Excluindo-se os países desenvolvidos, seriam apenas 12 lugares no mundo: Israel, Bangalore na Índia, Dublin na Irlanda, Inchon na Coréia, Kuala Lampur na Malásia, Singapura, El Ghazala na Tunísia, Hong Kong na China, Taipei e Hsinchu em Taiwan, e duas localidades no Brasil, Campinas e São Paulo.
A produção do conhecimento e o desenvolvimento científico e tecnológico favorecem a realização de parcerias com industrias e constituem um ambiente diferenciado para novos empreendimentos de base tecnológica.
A RMC reúne mais de 48 mil alunos matriculados no ensino superior, sendo que o município de Campinas abriga 75% dos estudantes universitários. Em 2001, apenas a UNICAMP contava, com cerca de 26 mil alunos — 12,5 mil alunos de graduação e 13,5 mil alunos de pós-graduação — 20 Unidades de ensino e pesquisa, 53 cursos de graduação, 111 cursos de Pós-graduação, quase 1,8 mil professores, mais de 90% deles com título de doutor (PhD).
Ainda: num raio de 10Km da Unicamp existem hoje mais de 2 mil pesquisadores trabalhando em P&D; empresas como Motorola, Nortel e Ericsson mantém centros de P&D implantados no município ou na região; mais de uma dezena de empresas de fotônica tiveram origem no Instituto de Física da Unicamp; outros centros de P&D (agricultura, informática, etc.) devem abrir novos temas de pesquisa multidisciplinar, explorando novas aplicações da fotônica
Para o futuro, mesmo num cenário de crescimento moderado, em função da infraestrutura instalada, de seu mercado de trabalho e das instituições existentes a RMC seguirá sendo uma das metrópoles mais ricas do país, com uma elevada renda média, embora ainda com forte heterogeneidade e carências na infraestrutura social.
Entretanto, como mostram estudos recentes, a maior debilidade da RMC é a ainda incipiente iniciativa local para alavancar esse potencial. Nesse sentido, a proposta de formação de Agentes Promotores de Desenvolvimento parece bastante oportuna. Obviamente, alem da acuidade na seleção dos futuros agentes, o conteúdo do curso será estratégico para o sucesso da proposta.
No âmbito  de um  marco conceitual derivado de experiências correlatas no país e no exterior , o conteúdo do curso levará em conta a rica bibliografia existente sobre a RMC,  consolidação e analise das informações obtidas nas visitas em andamento a Prefeituras e empresas dos dezenove municípios metropolitanos e a analise de cluster que integra este relatório.
A analise de cluster, procedendo aos devidos testes estatísticos, selecionou cinco variáveis responsáveis pelo grupamento final: capacidade fiscal e de gasto, oportunidade ocupacional para jovens e mulheres, capacidade de atendimento social, condições educacionais e concentração de renda
Resultaram cinco grupos, um deles (grupo seis)  composto apenas por Paulínia, município rico e de população pequena, o que lhe garante a maior receita per capita do país. O grupo um concentra municípios grandes- Sumaré, Hortolândia, Sta Bárbara- e um médio- Monte Mor-  industrializados, mas com elevada proporção de população de baixa renda e municípios  menores, e de menor dinamismo econômico, como Cosmópolis e Sto Antonio de Posse.  No grupo dois estão os municípios grandes, industrializados e mais dinâmicos economicamente: Campinas, Americana, e Indaiatuba , dois médios com as mesmas caracteristicas Valinhos,  e Itatiba e ainda Nova Odessa, com grau menor de industrialização, mas com bons indicadores sociais. O grupo três abriga três municípios , um pequeno (Eng. Coelho) e dois médios, Pedreira e Artur Nogueira, relativamente menos industrializados e de menor dinamismo, e finalmente o grupo quatro envolve dois municípios médios e um pequeno que estão entre os mais dinâmicos da região, Vinhedo, Jaguariúna e  Holambra.

 

Fonte: Ulysses Cidade Semeghini em parceria com o Instituto de Economia da Unicamp

 

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